A Soapbox Science Lisbon chega pela terceira vez a Portugal a 15 de Outubro.
Estaremos pela primeira vez ao vivo no FICA Oeiras.

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O grande investimento em divulgação científica e a promoção de carreiras em Ciências, Tecnologias, Engenharia e Matemática (STEM), dirigido a jovens raparigas e mulheres durante a última década, mostra finalmente sucesso. Na Europa, nas áreas de STEM, existe, em média, um número mais elevado de estudantes de licenciatura e pós-graduação femininos que masculinos. No entanto, na sua carreira académica, as mulheres têm menos probabilidade que os homens de alcançar o posto de professor catedrático.  Em Portugal, 62% dos doutorados em Ciências Naturais, Matemática e Estatística são mulheres, no entanto, a proporção de mulheres em cargos superiores académicos e de tomada de decisão desce para 30,2% em Ciências Naturais, e até 10,6% em Engenharia e Tecnologia [1]. Para onde vão todas estas mulheres altamente qualificadas e com formação científica? E porque é que as mulheres deixam o meio académico?

As mulheres trazem perspetivas únicas à investigação e ao diálogo científico, e a investigação e inovação em ciência são mais precisas quando se considera o género e a etnia. A falta de visibilidade dos modelos e a discriminação com base no género – implicitamente herdada por padrões culturais obsoletos ou expressa por preconceitos explícitos, ambos frequentemente sob a forma de microagressões – explicam o desequilíbrio. As mulheres recebem menos convites para conferências [2], são menos citadas [3] e recebem menos financiamento [1] que os seus homólogos masculinos, apesar da igualdade de desempenho. Este padrão é ainda mais reforçado devido a uma distribuição desequilibrada entre homens e mulheres das necessárias interrupções de carreira no que diz respeito aos cuidados a crianças e idosos, que se tornaram ainda mais proeminentes à luz da pandemia de COVID-19 [4].

 O que podemos fazer para ajudar as mulheres em STEM a libertarem todo o seu potencial como cientistas?

Soapbox Science – é uma plataforma global de divulgação que promove as mulheres cientistas e a ciência que elas fazem – faz parte de um grande esforço para a eliminação da desigualdade de género em ciência. Trazemos a investigação de ponta diretamente do laboratório até às pessoas, ao mesmo tempo que promovemos o perfil individual das cientistas e desafiamos a visão pública do que é ser cientista. O nosso objetivo é capacitar as mulheres cientistas locais, dando-lhes visibilidade, fornecer inspiração e modelos para as jovens cientistas em início de carreira, e melhorar a consciência da riqueza da investigação que é conduzida por mulheres em todo o mundo. Finalmente, queremos gerar uma rede para que as mulheres cientistas cultivem o empoderamento mútuo e abram o diálogo sobre o que é preciso para ter sucesso como mulher na ciência.

📍A 15 de outubro, das 15 às 18 horas (GMT+1), a nossa Soapbox Arena estará no FICA e acolheremos 9 mulheres cientistas locais, selecionadas de um competitivo grupo de investigadoras. Haverá três sessões de 1 hora, com três oradoras por sessão que irão partilhar o seu trabalho em tecnologia, ciência, medicina e engenharia. O público, de todas as idades e origens, terá não só a oportunidade de ouvir e aprender com cada oradora sobre o seu tema e perspetivas, mas poderá também interagir diretamente com as cientistas, num ambiente divertido e de partilha.

 

No Tema do mês de Outubro do Portal do Astrónomo, apresentamos artigos escritos por algumas das cientistas que tomarão parte no evento deste ano:

Clique nos links abaixo para aceder:

Artigo de Andreia Pinto 

Artigo de Diana Marques

Artigo de Inês Navalhas

Artigo de Malgorzata Zakrzewska 

 

Se quiser saber mais sobre a organização e os eventos, veja este pequeno vídeo, leia os posts  e comentários das oradoras e voluntárias da edição de 2020, bem como os posts das oradoras da edição de 2021 e os posts promocionais, e ainda as apresentações no nosso canal de YouTube. Para mais informações globais visite soapboxscience.org.

Se tiver alguma dúvida, contacte-nos através do email: soapboxscience.lisbon@gmail.com e não se esqueça de nos seguir para obter actualizações sobre o evento e as nossas iniciativas em:

Twitter: @LisbonSoapbox

Instagram: soapbox_science_lisbon

Facebook: soapbox science Lisbon

LinkedIn: soapbox science Lisbon

 

 

Não poderíamos realizar este evento sem o apoio dos nossos parceiros:

 

 

 

 

A equipa do SoapBox Science Lisbon

Simone Lackner (@MagSimal) é uma cientista multidisciplinar formada em Biologia Molecular, com um doutoramento em Neurociência e Sistemas e um pós-doutoramento em Ciência Social Computacional. Simone é apaixonada por comunicação em ciência e, como Embaixadora ReMO para o Bem-Estar na Academia, uma forte promotora da diversidade e inclusão. Participou no desenvolvimento do “Ar-respire connosco”, fundou o Soapbox Science Lisbon e é coordenadora do projeto.

Oihane Horno obteve o seu bacharelato em Física na Universidade do País Basco, e depois mudou-se para a Holanda, onde fez o seu mestrado em Neurociência na Universidade de Maastricht. Atualmente, está a fazer o doutoramento na Fundação Champalimaud. Está a desenvolver um projeto de colaboração entre os Circuitos Corticais e os laboratórios de Neurociência Teórica, onde estuda a comunicação da área inter-cérebro do córtex visual.

Amparo Ruiz-Tagle é uma neuropsicóloga clínica de Santiago do Chile, e estudante de Doutoramento em Neurociências na Universidade de Lisboa. Participa num projeto clínico do Evolutionary Systems and Biomedical Engineering Lab (LaSEEB, ISR-IST) e do Laboratório de Estudos de Linguagem (LEL-IMM) onde estuda o processamento cognitivo e emocional ao longo do ciclo da enxaqueca.

Denise Camacho é de Cabo Verde e estudou Ciências Farmacêuticas na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde. Durante a sua graduação, foi selecionada para desenvolver a sua tese no Centro de Investigação Aggeu Magalhães no Brasil – PE. Denise é atualmente aluna de doutoramento na Fundação Champalimaud, onde estuda como as células cancerígenas competem com as células normais para crescer e invadir novos tecidos. Está a desenvolver o seu projeto no Cell Fitness Lab.

Rita Sousa fez a sua licenciatura em Engenharia Biológica no Instituto Superior Técnico e está atualmente a terminar a sua tese de mestrado no Departamento de Degeneração Experimental no Centro Médico da Universidade de Goettingen, Alemanha. O seu projeto centra-se no estudo de uma nova mutação alfa-sinucleína associada à doença de Parkinson e a utilização de nanocorpos como sondas estruturais e mecanicistas para formas de agregação da proteína.

Susana Parreiras fez a sua licenciatura e Mestrado em Bioquímica na NOVA School of Science and Technology. Atualmente, está a trabalhar no ITQB-NOVA, em Oeiras, com uma Bolsa de Investigação no Protein Modelling Laboratory and Systems and Synthetic Biology Laboratory no Projeto DeepBio. Em breve, irá iniciar o seu doutoramento no ITQB-NOVA e na NOVA Medical School com o tema “Modificações oxidativas de enzimas humanas sintetizadoras de hidrogénio em quimiorresistência ao cancro”.

[1]She Figures Report 2018

[2]Nature 573, 184-186 (2019), https://doi:10.1038/d41586-019-02658-6

[3]Budrikis, Z. Growing citation gender gap. Nat Rev Phys 2, 346 (2020). https://doi.org/10.1038/s42254-020-0207-3

[4]Myers, K.R., Tham, W.Y., Yin, Y. et al. Unequal effects of the COVID-19 pandemic on scientists. Nat Hum Behav (2020). https://doi.org/10.1038/s41562-020-0921-y

 

NOTA: Os Temas do Mês do Portal do Astrónomo são da responsabilidade dos(as) autores(as).

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