Foi descoberta na Via Láctea, a cerca de 1500 anos-luz da Terra, uma estrela que pulsa apenas de um lado. É a primeira deste tipo a ser encontrada e os cientistas esperam descobrir muitos outros sistemas semelhantes, à medida que a tecnologia for evoluindo.

Ilustração do sistema binário com a estrela pulsante e a sua companheira anã vermelha. Créditos: Gabriel Pérez Díaz (IAC).

“O que me chamou a atenção em primeiro lugar foi o facto de ser uma estrela peculiar em termos químicos,” disse Simon Murphy, do Instituto de Astronomia da Universidade de Sydney, coautor do estudo. “As estrelas como esta são em geral bastante ricas em metais – mas esta é pobre em metais, o que a torna numa estrela quente de tipo raro.”

Murphy partilhou a descoberta com colaboradores internacionais, descobrindo que outros já tinham começado a estudar esta estrela, conhecida como HD74423, e que tem cerca de 1,7 vezes a massa do Sol. Os resultados foram publicados em conjunto na revista Nature Astronomy.

“Da teoria, sabíamos, desde os anos 80, que deveriam existir estrelas como esta,” disse o Professor Don Kurtz, da Universidade de Lancashire, Grã-Bretanha, coautor do estudo, e que é também professor visitante na Universidade de Sydney. “Há quase 40 anos que eu procurava uma estrela como esta e finalmente agora descobrimos uma,” acrescentou.

As estrelas que pulsam, oscilando em termos de brilho, são há muito tempo conhecidas em astronomia. O nosso Sol oscila ao seu próprio ritmo. As pulsações rítmicas na superfície estelar ocorrem em estrelas jovens e velhas e podem ter períodos longos ou curtos, bem como uma vasta gama de intensidades e causas diferentes.

Havia, no entanto, uma coisa que todas estas estrelas tinham em comum: as oscilações de brilho eram sempre visíveis de todos os lados da estrela. Mas, agora, esta equipa internacional descobriu uma estrela cujas oscilações ocorrem principalmente num hemisfério.

Os cientistas identificaram a causa da invulgar pulsação unilateral: a estrela está localizada num sistema binário com uma anã vermelha. A companheira próxima distorce as oscilações com a sua força gravitacional. A pista que levou a esta descoberta veio através de cientistas cidadãos a estudar dados públicos do satélite TESS da NASA, que está à procura de planetas à volta de estrelas distantes.

O período orbital do sistema binário, menos de dois dias, é tão curto que a estrela maior está a ser distorcida para uma forma semelhante a uma gota pela força gravitacional da companheira.

Gerald Handler, do Centro Astronómico Nicolau Copérnico, na Polónia, principal autor do estudo, afirmou: “Os extraordinário dados do satélite TESS significam que podemos observar variações no brilho devido à distorção gravitacional da estrela e às pulsações”.

Para sua surpresa, a equipa observou que a intensidade das pulsações dependia do ângulo sob o qual a estrela era observada e da correspondente orientação da estrela dentro do binário. Isto significa que a intensidade da pulsação varia com o mesmo período que o do binário.

“À medida que as estrelas do binário se orbitam, vamos vendo diferentes partes da estrela pulsante,” disse o David Jones, do Instituto de Astrofísica da Canárias, e coautor do estudo. “Umas vezes vemos o lado que aponta para a estrela companheira, e outras vemos o outro lado”.

Desta forma, os astrónomos podem ter certeza de que as pulsações foram descobertas em apenas um dos lados da estrela, com as pequenas flutuações no brilho a apareceram sempre nas observações quando o mesmo hemisfério da estrela estava virado para o telescópio.

A descoberta do comportamento invulgar da estrela foi inicialmente feita por cientistas cidadãos, que examinaram minuciosamente as enormes quantidades de dados que o TESS fornece regularmente, procurando novos e interessantes fenómenos.

Embora esta seja a primeira estrela deste tipo a ser descoberta, com apenas um lado a pulsar, os autores acreditam que deve haver muitas mais.

Fonte da notícia: Phys.org

 

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