As imagens da Grande Mancha Vermelha de Júpiter revelam um emaranhado de nuvens escuras e veios que serpenteiam através de uma enorme oval carmesim. A JunoCam, câmara a bordo da missão Juno da NASA, obteve novas imagens desta icónica característica do maior planeta do Sistema Solar, durante a última aproximação da sonda ao planeta. As imagens foram transmitidas a partir da memória da sonda na terça-feira e colocadas no site da JunoCam quarta-feira de manhã.

Imagem da Grande Mancha Vermelha de Júpiter - por Jason Major.
Esta imagem melhorada da Grande Mancha Vermelha de Júpiter foi criada pelo cidadão-cientista Jason Major, usando dados em bruto da JunoCam a bordo da sonda Juno da NASA. Créditos: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Jason Major.

“Os cientistas têm vindo a observar a Grande Mancha Vermelha de Júpiter e a elaborar teorias sobre ela ao longo de centenas de anos,” disse Scott Bolton, principal investigador da Juno no SwRI (Southwest Research Institute), em San Antonio. “Agora, temos as melhores imagens desta tempestade icónica. Levaremos algum tempo a analisar todos os dados, não só os da JunoCam, mas também os dos oito instrumentos científicos da sonda, para podermos lançar uma nova luz sobre o passado, o presente e o futuro da Grande Mancha Vermelha.”

Conforme tinha sido planeado pela equipa da Juno, coube aos cidadãos-cientistas processar as imagens em bruto disponibilizadas no site da JunoCam, para lhes fornecer níveis de detalhe mais elevados. As imagens tratadas pelos cidadãos-cientistas, bem como as imagens em bruto que usaram para o processamento, podem ser encontradas aqui:

Imagens

“Tenho acompanhado a missão Juno desde o seu lançamento,” disse Jason Major, cidadão-cientista da JunoCam e designer gráfico de Warwick, Rhode Island. “É sempre empolgante ver as novas imagens em bruto de Júpiter, à medida que vão chegando. Mas é ainda mais empolgante pegar nessas imagens e transformá-las em algo que as pessoas possam apreciar. É para isto que eu vivo.”

Grande Mancha Vermelha de Júpiter - por Kevin Gil.l
Imagem melhorada da Grande Mancha Vermelha de Júpiter que foi criada pelo cidadão-cientista Kevin Gill, usando dados da JunoCam. Créditos: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Kevin Gill.

Medindo 16350 quilómetros de largura (medida de 3 de abril de 2017), a Grande Mancha Vermelha de Júpiter é 1,3 vezes maior que a Terra. A tempestade é seguida desde 1830 e existe possivelmente há mais de 350 anos. Nos tempos modernos, a Grande Mancha Vermelha parece estar a encolher.

Todos os instrumentos científicos da Juno estavam a operar durante o voo rasante, recolhendo dados que agora estão a ser transmitidos para a Terra. A próxima aproximação de Juno de Júpiter ocorrerá a 1 de setembro.

A Juno alcançou o perijove (o ponto em que a sua órbita se aproxima mais do centro de Júpiter) a 11 de julho, às 02:55 (hora de Lisboa). Nesse momento, a sonda encontrava-se cerca de 3500 quilómetros acima das nuvens do planeta. Onze minutos e 33 segundos mais tarde, a Juno havia coberto mais de 39771 quilómetros e passava diretamente sobre as nuvens carmesim da Grande Mancha Vermelha, a uma altitude de 9000 quilómetros.

Grande Mancha Vermelha de Júpiter - por Gerald Eichstädt.
Imagem melhorada da Grande Mancha Vermelha de Júpiter criada pelo cidadão-cientista Gerald Eichstädt, usando dados da JunoCam. Créditos: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS/Gerald Eichstädt.

A Juno foi lançada a partir de Cabo Canaveral, Flórida, a 5 de agosto de 2011. Na sua missão de exploração, a Juno voa por cima das nuvens do planeta – aproximando-se até uma distância mínima de 3400 quilómetros. Durante estas aproximações, a Juno sonda o que existe sob a densa cobertura de nuvens de Júpiter e estuda as suas auroras, para saber mais sobre as origens, estrutura, atmosfera e magnetosfera do planeta.

Os primeiros resultados científicos da missão retratam o maior planeta do Sistema Solar como um mundo turbulento, com uma estrutura interior intrigante e complexa, energéticas auroras e grandes ciclones polares.

“Estas imagens da Grande Mancha Vermelha de Júpiter são a tempestade perfeita da arte e da ciência. Com os dados da Voyager, da Galileo, da New Horizons, do Hubble e agora da Juno, compreendemos melhor a composição e evolução desta característica icónica,” disse Jim Green, diretor de ciência planetária da NASA. “Agrada-nos muito podermos partilhar com todos a beleza e a emoção da ciência espacial.”

Fonte da notícia: NASA

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